
No desconhecido que é um todo situa-se a imprevisibilidade. A charneira onde a criação é possível. Aleatória? Talvez. Mas sempre arrepiantemente envolvente. Só nela se pode trilhar o que ainda há a fazer. O pormenor. O cisco de madeira que pode preencher a falha. O direito à luta ou à indiferença perante este mundo formatado.
No desconhecido se encontra esse átimo que só alguns conseguem captar. E como, em tantas outras coisas, “less is more”.
Nesse pormenor invisível que, por momentos, atravessa o nosso campo ou a nossa visão, pode estar a alavanca que tudo propulsiona.
Atrevo-me. Não o procuro. Ele está aí – ao meu lado, dentro de mim, na palavra a pronunciar, no olhar que se cruza, na mão que se aperta.
Só em mim a possibilidade de com ele criar a utopia e a razão.
Despir o recheio. Apascentar a simplicidade. Avançar.
A única certeza é que não é na inacção nem na repetição que descobrirei a razão de ser.
A um passo segue-se outro passo – infantil?
Como eu gostaria de recuperar o olhar da criança.
HFM - Lisboa, 1 de Agosto de 2010