quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Chove na transparência dos vidros como uma mímica de sentimento. Gotas contando histórias. Memórias avivando-se no minúsculo tempo de cada gota. Sinfonias interrompidas e, contudo, tão audíveis. Uma catarse de cor no cinzento do dia!
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Sem título
nem um som
só a fuga do ano
que se ausenta
cumprindo normas
como um relógio de rigor
na vivência dos dias
horas que falseiam
o espaço de tempo
que nunca recriamos.
HFM - 31 de Dezembro de 2008
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Portugueses
Acabei de chegar há pouco de uma palestra de António Vitorino de Almeida sobre A música no sec.XX. Quem o apresentou indicou algumas das suas qualidades tendo terminado com a de ser português. Não sei se é uma qualidade mas perante aquela figura senti que precisamos de algumas referências que nos façam sentir orgulho do país em que nascemos.
Quando cheguei a casa estavam a dar na televisão que Cristiano Ronaldo tinha sido eleito o melhor jogador de 2008 - liguei as duas situações e achei que hoje, malgré tout, tinha sido um dia em que tinha tido orgulho de ter nascido neste país.

E já agora deixem-me que refira que o orgulho ainda foi maior por Cristiano Ronaldo ter sido formado nas escolas do meu club - o Sporting - na senda do que já acontecera com Luís Figo.
É assim mesmo, isto hoje vale tudo ;)
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Com um obrigada
Os olhos de Vincente
Que não havia música nos teus olhos
só dois pontos verdes, azuis, roxos
debaixo da sombra das pálpebras
Era aí que guardavas as telas
que deslumbravas com o trigo
o negro dos corvos
É o que sabemos agora, face aos despojos
da tua vida
Não havia música nos teus olhos
só sombras nos lábios
Era aí que pintavas a cor da tua morte
Rústica sobre as searas.
poema da autoria de
J.T.Parreira
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Do diário

Hoje de manhã as Conchas pareciam um conto feérico saído de qualquer ilustração inglesa. Os canais de água estagnados por uma camada de gelo. As ripas de madeira que os ladeiam estavam cobertas com um intermitente manto branco de cristais de gelo. A erva semeada de um branco queimado. O frio cortava a pele e a cabeça estalava. Só os passos cumpriam presságios e enquadravam-se na envolvência. Não havia lucubrações. Só o grito dos passos rangendo o gelo e silenciando o frio que sonhava com a casa.
Do alto, as árvores sorriam.
Do alto, as árvores sorriam.
HFM - 9 de Janeiro de 2009
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O meu Papa (João XXIII) dizia:
abafaram-no, esqueceram-no, calaram-no por entre os aveludados do Vaticano.
Era o meu Papa. Há muito que não reconheço os que se sentam na cadeira de S. Pedro. Grande parte do mundo também não. E do desenvolvimento não há traços. E da paz, nem o conceito.
desenvolvimento é o novo nome da paz
abafaram-no, esqueceram-no, calaram-no por entre os aveludados do Vaticano.
Era o meu Papa. Há muito que não reconheço os que se sentam na cadeira de S. Pedro. Grande parte do mundo também não. E do desenvolvimento não há traços. E da paz, nem o conceito.
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Quando o impossível me torna feliz

para o Eduardo Graça
é sempre tarde quando tento
esgotaram-se as rotinas
e as pulsações
só na luz de Lisboa
há um mar a descobrir
aí, numa gargalhada de palhaço,
circunscreverei
a liberdade.
HFM - Lisboa, 4 de Janeiro de 2009
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Anoitecidos

Na escuridão só a luz do silêncio e os gritos das pedras na seiva do rio confundindo-se com a chuva e com a cidade. Vibra o asfalto nas pulsações dos carros que descobrem a noite na trama do alheamento.
Um cão vadio esgravata o lixo como a garantir que tudo poderá ter limites – a noite, não.
HFM - Lisboa, 3 de Janeiro de 2009
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Sem título

Quando o nada se atreve no vento
escorre a chuva das cisternas
eliminando o deserto
um som de ausências
atravessa impuro
o sangue das memórias.
Lisboa, 28 de Dezembro de 2008
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Até para o ano

Que este pequeno ramo possa aquecer esse adeus a 2008 e um bem vindo 2009. Bem vindo mesmo, sem ses nem mas nem crises... de braços abertos para o saber aproveitar com todos os seus riscos.
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