sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sem título

Quando o sol bate na relva
cansa-se o olhar
filtrando percursos.

HFM - Lx, Quinta das Conchas, 13.06.09

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Um ténue fio ligando resistências.
O olhar tecendo madrugadas.
As mãos soltando a claridade.
O horizonte - ponto de apoio.

A eternidade - linha de evasão.

HFM - Lisboa, 16 de Junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quando o silêncio não se amedronta a noite cerra fileiras. Os faróis dos carros são puros pontos sem cadência e o nevoeiro não encobre a estrada. Desta nada te direi - são incertos os ouvintes e os caminheiros não buscam palavras.

Vai, na contra corrente dos passos, onde te levar o desejo. Como uma criança despe a farda da rotina, sem obrigações nem leis serve-te do asfalto. Na bússola do vento cava a guarida. Cobre-te com a geada.

E quando te disserem que chegaste, duvida. Para além do asfalto cresce ainda o mar.

HFM - 7 de Junho de 2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Citando # 200

A lei do silêncio é inútil. Quando algo nos persegue na nossa memória ou na nossa imaginação, as leis do silêncio são inúteis, é como fechar uma porta à chave numa casa em chamas na esperança de nos esquecermos que ela está a arder. Mas fugir do incêndio não o apaga. O silêncio em relação a uma coisa só lhe aumenta o tamanho. Cresce e apodrece em silêncio, torna-se maligno.



Tennessee Williams

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sem título


Jardim das Oliveiras - Museu do Holocausto - Berlim



Passo a passo repasso a tua imagem
fuga por entre cadeias e distâncias
só o mar e a eterna luz do teu sorriso.


Berlim, Museu do Holocausto, 16 de Maio de 2009


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sem título


Fotografia tirada nos belos jardins dum dos palácios de Potsdam onde se realizou a conferência de Potsdam


as mãos refazendo a ternura
o olhar esculpindo o movimento
a boca carregando lembranças

memórias urdindo o sentimento.


Berlim, 17 de maio de 2009


sábado, 6 de junho de 2009

Sem título

Dir-te-ei dos passos cansados de ausência
sublime da dor.

hfm - 5 de Maio de 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Da Lembrança


Quando os dias não têm horas
escorre na dor a dúvida
encerram-se os claustros
na luz do poente
e as árvores recolhem-se em oração.
Mas, se escutares, amor
há sempre um som conhecido
uma lenta repetição
um sino brindando o ouvido


zoom da presença dos dias
em que o sol assentou arraiais
por sobre os verdes atrás dos vidros.


HFM - Lisboa, 2 de Junho de 2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

Sem título


Meu amor, qual o tempo do tempo?
O instante sempre ultrapassado?
A memória assimilada?
O fragmento antecedendo o momento?

Tão só a certeza nas minhas mãos.


HFM - 24 de Maio de 2009



domingo, 31 de maio de 2009

Citando # 199

Solidão não é falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo. Isso é carência.



Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar. Isso é saudade.



Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos. Isso é equilibrio.



Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsivamente para que revejamos a nossa vida... Isso é um pricípio da natureza.



Solidão não é o vazio da gente ao nosso lado. Isso é circuntância.



Solidão é muito mais que tudo isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão a nossa alma.





Frase atribuída a Chico Buarque da Holanda e retirada daqui