quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

À boca de cena

Dou-te um conto que te encante
como o rio quando toca o mar
ou a mão que interrogamos
se nos chegou a tocar.
Conto onde te conto as contas
e tantos outros esteiros
onde de velas enfunadas
partem tantos e tantos veleiros.
Este conto são as contas
que contigo quero acertar

desafiando de frente
a vida que se pressente.

HFM - Lisboa, 3 de Janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Anoitecidos




Quando brinquei com a insónia foi comigo que brinquei. Enrolei-me nos lençóis e libertei-me no peso da roupa. Fingi a naturalidade. Escondi-me do novo dia. Refugiei-me no silêncio da noite. Vesti-me de vazio. Selei o pensamento. Parti.



domingo, 2 de janeiro de 2011

Carimbo





Com a noite selei um pacto
Difícil. Inoportuno. Radical.
Já me esqueci dos contornos
Vagueia em mim a imprecisa precisão
De um rumo decidido.
Nada aleatório. Nele se imprime
Os veios e as veias de uma vida
O voo arriscado do respeito
O canto desafinado da revolta
A ira subterrânea dos medos
A frontalidade dos destemidos
A irrascibilidade dos cobardes
A amálgama de tantos labirintos.

Tangi as cordas do cello
Na ausência de som percebi
Que a madrugada aconteceria manchando
De ansiedade a indecisão.

Na minha estrada de Damasco
Carimbei com a minha melhor letra
180º


e imprimi.




HFM - Lisboa, madrugada de 29 de Dezembro de 2010




sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bom Ano




Com esta aguarela vos desejo um Bom Ano e traduzo livremente o que li, algures, num blogue, em inglês; estou citando de cor




DESEJO-VOS QUE AS COISAS MÁS DA VIDA SE ESTENDAM POR 2010


E AS BOAS POR 2011


Já agora escusam de exagerar no champanhe deixem algum para os próximos(as)...

Até para o ano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



A aurora desconhece-se na cidade
Só o resquício da lua nos fala da transição

e a espera de que a chuva enverdeça a paisagem.


HFM - Lisboa, 28 de Dezembro de 2010

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Confissão



haverá no céu o luar
o orvalho nos campos
as ondas bailando no mar

sempre que as tuas mãos espelharem o nada
no eco de todos os silêncios.

HFM - 22 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Boas Festas



para lá do voo - o infinito
e o sorriso da criança
baluarte de vida
congregando no precipício
as forças da harmonia



hfm-18.12.2010




Para todos os amigos, os leitores deste blog e aqueles que, ocasionalmente, por aqui passam



UM BOM NATAL

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nocturno



Desdobram-se nas esquinas os ventos
quando na noite se encerram os gritos
como um cello perdido ouve-se então
a rouca melodia das memórias
tangidas nos veios do tempo


sinais indeléveis perseguindo futuros.

HFM - Lisboa, Dezembro 2010










domingo, 19 de dezembro de 2010

Divagação matutina



Era constante o frio na manhã embaciada. No ar um misto de promessas e agressividade. E no céu, largamente confundido de nuvens, brilhava, donde em onde, uma mancha de cerúleo. Também havia brilho em alguns homens que passavam enrolados em grandes e grossos cachecóis; uma imagem um pouco insólita na minha cidade. As árvores despidas, ou quase, reacendiam a luz nas suas folhas amarelas e castanhas avermelhadas. Um cenário que em breve se apagaria quando o tempo se fixasse, se decidisse. Era esta hesitação, no silêncio da manhã de sábado que fazia do cenário o espectáculo sublime do quotidiano. A perfeita descoberta do que rodeia a minha janela numa manhã de Dezembro fria, inóspita, rasando a fundo a densidade do sublime e dos seus constrastes.

Arregacei as mangas do olhar e fiz-me à estrada da visão onde o sublime enternecia a alma.

Estranho momento de raridade, tão efémero como o sublime!

HFM - 18 de Dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Montepulciano

Uma das belas cidades da Toscânia que não conhecia e a que cheguei, infelizmente, ao lusco-fusco o que me permitiu aperceber-me apenas da sua beleza alcandorada no alto da colina. Uma terra que produz um afamado vinho que foi bem apreciado. Ficam as imagens conseguidas por telemóvel. E a saudade.