terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sem título

quando me esquecer dos teus lábios
será urgente
a primavera.

HFM - 4 de Fevereiro de 2011

domingo, 6 de fevereiro de 2011




Uma ténue voz vem sibilina
no ar ensolarado da manhã
entontecer na cabeça as memórias
como o rio que não pergunta
se pode passar

uma melodia onde me desaguo.


HFM - Lisboa, 2 de Fevereiro de 2011



sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011



Na mão da criança a letra emperrou. Com afinco continuou. Língua de fora - parecia-lhe ajudar ao desenho da letra. O p talvez não estivesse perfeito mas ela sabia que era com aquela letra que se escrevia PALAVRA e a professora dissera-lhe que, com palavras, ela poderia fixar, no papel, os sonhos.

Durante uma parte da tarde a criança desenhou as restantes letras da palavra. Só ela as compreendia. Conseguia, contudo, concretizar o seu sonho. Agora o mundo era seu e poderia contar os sonhos e poderia fixar no papel as letras com que ele se escreve.

Sorriu. Pousou o lápis. E ficou a contemplar a imensidão que se abria naquela folha de papel que tirara da impressora do pai.

Havia a letra. Havia o sonho. Havia o bailado dos dois girando em sinfonia.

Talvez fosse o barulho do avião ou da nave espacial dos sonhos.

E uma gargalhada estridente soltou-se da criança.



HFM - 18 de Janeiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011


retirada da net - olhares



Quando no canal se encana o vento
desagua no mar a ria

lento travelling de sedução.

HFM - Aveiro, Janeiro 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Quando na memória se estendem todos os meandros da ria. Das rias. Duma cidade branca e limpa. Dum tempo. Do tempo. Das listas das casas que rasgam o arco-íris nos meus olhos. Dos desenhos. Das andanças. Trabalhando fui viajante. Viajando fui trabalhando. Soltam-se no ar os gritos e a serenidade de uns dias de frio e sol, de canais, das casas coloridas junto ao canal de S. Roque que me fizeram lembrar Burano.

Restam dos dias o fio das verdadeiras memórias. O fio que já não é de Ariadne - é meu.

Nota: Logo que tenha tempo colocarei aqui algumas imagens.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Citando # 206



Ce que je prétends réaliser dans mes histoires, ce sont comme des signes qui invitent à plus de curiosité...



Hugo Pratt


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011





tudo esquecido na penumbra da casa
um ténue raio de sol apascentava
na esquina da sala a luminosidade
uma serenidade estranha sem reflexos
como uma ausência prometida
só o tilintar do vento nas portadas
acalmava na tarde o silêncio


corria veloz a ânsia na penumbra
esquecimento ou vazio impunham
na tarde claridade e ausência
que o Tejo ampliava em procura
Ulisses esquecera-se do sonho
e o porto desfazia-se no mar


na difusa perfeição da tarde
o sol beijando as águas
era a certeza da presença escondida
por entre vãos, portas, escadas


só o vento gargalhava!


HFM - 2009

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Les Faux

domingo, 16 de janeiro de 2011


DUAL

quando no tempo já não há passos
percorrem o meu labirinto
fantasmas antigos
que amei e recriei
são eles que tecem o enredo
nas curvas, nos corredores, nos impasses
por onde se desenvolve o labirinto

envolvida na névoa
confundo em dualidade
presente e passado.

HFM - Lisboa, 7 de Janeiro de 2011






sexta-feira, 14 de janeiro de 2011



Foto em www.olhares.com




Deixei cair a sombra
quando o mar se revoltou
era Dezembro
e na mão vacilava a distância
e a dor

corre, amor,
talvez um dia
um sopro de vento
te traga o odor
imagens difusas
na clandestinidade da dor

corre, amor,
talvez na chaminé
um dia recuperes a sombra.


HFM - Dezembro 2010