terça-feira, 1 de março de 2011




Quando o senhor ilógico veio passar férias à minha cabeça e aos meus sentimentos assaltou, qual furacão, o establishment. Despenteou o ambiente. Apoderou-se do tesouro. Fez avançar o vento. E nas paredes virtuais ressoaram gargalhadas. Loucura? Tão só outra abordagem. Uma inóspita sensação do mundo. Na loucura nele criada o não lógico e a gargalhada fervilham de criatividade. A única com lógica. A que assenta nas ancestrais premissas. A que vagueia nos códigos. A que encima os brasões das memórias.

Uma linha de água onde o firmamento é uma miragem alheia. Sempre contrária à rotina fractal.

Um fio de água por onde me prolongo na onda que invade o mar.



HFM - Lisboa, 24 de Fevereiro de 2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Do filtro do olhar

olhei o sol da cidade
onde o fresco residia

em mim
a sôfrega necessidade da procura
ainda da descoberta

enfiei o casaco
sorri ao dia
e qual navegante
trilhei a cidade
colina acima.

HFM - 26 de Fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Fonte da Margarida

Junto à fonte tinham dançado crianças
num outrora de presenças e sentidos
a erva rasteira e o caminho tosco
estavam juncados de margaridas
era verão, havia risos soltos
e nos olhos as promessas consentidas


na dança de roda não se soltaram as margaridas
só as mãos se perderam no tempo.


HFM - Lisboa, 21 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011



Na geometria das lágrimas afasto a sombra. Procuro a luz. Afogo-me nas palavras que já não balbucio. Sei da substância. Sobretudo da incoerência. Quebro a memória. Só muda me dou ao mundo. Demolida nascerei na seiva da verdade. Então a pedra fará sentido.


HFM - Lisboa, 21 de Fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Atenta


Um eco de assobio transplantava
a cidade para o meu ouvido
memórias de outras ruas e praças
também o rio e ainda o bulício
arquitectavam palavras na assimetria
dos lugares e das pessoas
um filtro de saudosismo
percorrendo a coluna dos sentidos
onde se abrigam as imagens
e as dores

sensível obturador de vivências.


HFM - Lisboa, 13 de Fevereiro de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Do Tejo


da net


corre rente ao rio
o vento os desenganos o ocaso

deito as minhas raízes
nas colinas da cidade
olhando o rio
nas sôfregas horas
em que a incerteza
se une à esperança e ao silêncio

na breve, breve fuga do acaso.



HFM - Lisboa, 16 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Da cor, da simplicidade, da poesia


Aveiro perto do Canal de S. Roque.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



Dizer-te das horas? Eu falo-te da eternidade.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Numa simples manhã de chuva


límpidas são as manhãs
transparentes de chuva
aí me resguardo reacendendo texturas.



HFM - Lisboa, 13 de Fevereiro de 2011