terça-feira, 19 de abril de 2011

Um já "velhinho"




Era um rosto como um rio
mutante
tinha por foz o além.

HFM - Lisboa, 14 de Janeiro de 2005



domingo, 17 de abril de 2011

Vasculhando o sótão


Há quanto tempo não "postava" sob este título


nas costas está escrito - De dentro de S. Julião da Barra, 1968 - tirada com a minha velhinha Canon que há muito não existe

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Já andou numa anterior Linha de Cabotagem



Arpad Szenes e Vieira da Silva no atelier do Boulevard Saint-Jacques, Paris, Foto Willy Maywald, 1949 - do site do Museu.




TESTAMENT

Je legue à mes amis




Un bleu céruleum pour voler haut
Un bleu cobalt pour le bonheur
Un bleu d’outremer pour stimuler l’esprit
Un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
Un vert mousse pour apaiser les nerfs
Un jaune d’or : richesse
Un violet de cobalt pour la réverie
Un garance qui fait entendre le violoncelle
Un jaune barite : science-fiction, brillance, éclat
Un ocre jaune pour accepter la terre
Un vert Véronèse pour la mémoire du printemps
Un indigo pour pouvoir accorder l’esprit à l’orage
Un orange pour exercer la vue d’un citronnier au loin
Un jaune citron pour la grace
Un blanc pur : pureté
Terre de Sienne naturel : la transmutation de l’or
Un noir somptueux pour voir Titien
Une terre d’ombre naturel pour mieux accepter la mélancolie noire
Une terre de Sienne brûlée pour le sentiment de durée


VIEIRA DA SILVA – (13/6/1908 – 6/3/1992)



quarta-feira, 13 de abril de 2011



Yik Yuet Sek


olhar-te-ei sempre
por entre os póros da ternura
num lugar breve sem destino.


HFM - Lisboa, 10 de Abril de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

Tempo(ral)


no apelo do mar oiço o eco rouco do desnorte
a fenda nas arribas que os homens multiplicam
o errático dislate dos passos sem sentido
a turba amolecida e acomodada
e a onda fragilizada que já não brilha.

Ó deuses, há neblina no concílio?

HFM-Lisboa, 10 de Abril de 2011



É urgente relembrar




Tenho a suspeita de que a espécie humana - a única - está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta.

Jorge Luís Borges

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Diurnos


dizer-te do vento assobiando no canavial? até uma criança escreveria isso. digo-te antes que este vento se enrola na ternura em que me és. mesmo quando ofendes. mesmo quando brutalizas o tempo negado. partem-se uns fios. rasgam-se as feridas. acentua-se a dor e, contudo, és-me - penúria de presença na pele que não largo.

HFM - Ericeira, 1 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

domingo, 3 de abril de 2011

Cantata




na manhã sem ausências
os teus olhos de seda
albergavam o vento
um sôfrego chicote
arrepiando a ternura

assim se cosiam os desalinhos.

HFM - 29 de Março de 2011


quinta-feira, 31 de março de 2011

Anoitecidos

Falava-te do grito quando a hora era breve e o ar sereno. Contrastes, dizias tu. Sorria. O grito domina a vida na sequência dos dias. Da sofreguidão à demência. Do nascimento à morte.

No grito se encerram todos os silêncios.

Sibilino o silêncio continua a martelar gritando ao mar e a inocência desfaz-se nas ondas que se quebram e se refazem.

Que o eco te leve o meu grito. Sempre um sinal de vida, de espanto, de revolta, de assombro.

O vento grita o impossível numa clareira de todos os inviáveis.

HFM - Lisboa, 29 de Março de 2011