quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dos tempos




dir-te-ei dos dias
quando as horas se esquecerem
de se encontrar
então
na ausência do tempo
serei o raio que antecipa o trovão
o ar denso e sufocante
e a calmaria do devir.

quando as horas não fizerem sentido
sentrar-me-ei face ao mar
sorrirei às ondas
abraçarei a espuma
que reflectirá
a praia em semi-círculo
onde à noite se ouve um piar marinho
e na visão periférica se descobre
a sombra dos pássaros extinguindo-se.



HFM - Lisboa, 19 de Abril de 2011


terça-feira, 3 de maio de 2011

Diurnos


No seu trabalho quotidiano o mar bate ferozmente nas antigas lagosteiras cujo esqueleto sobressai como uma moderna instalação a desafiar um Beuys ou um Christo que aqui nem precisaria de roupagens, a própria espuma encarregar-se-ia de desdobrar pregas, pinças, plissados e toda a amálgama de formas de que o panejamento é feito.

Assim se oferece a natureza na sua inapagável força que, felizmente, nenhum homem consegue dominar.



HFM - 28 de Abril de 2011 - Ericeira



Nota: Estas palavras constam do trabalho gráfico - em formato reduzido - que ando a fazer na Ericeira e que deixo aqui apenas o apontamento do esqueleto das antigas lagosteiras.



domingo, 1 de maio de 2011

Life, Legend, Landscape - na Courtauld Gallery



A belíssima exposição que se encontrava patente na Courtauld Gallery.



Do folheto



As seguinte fotos estão fracas, tiradas com telemóvel, e num ambiente com pouca luz.

Gostei de ver expostos esses dois diários gráficos.

A outra fotografia é de uma aguarela de Ruskin da Mer de Glace dos Alpes e que me impressionou pela forma como o gelo está tratado. Infelizmente a qualidade é muito fraca.










quinta-feira, 28 de abril de 2011




Quando o eco decretou silêncio
o medo emudeceu as vozes
e dos campanários não saiu som
só o rio indolente prosseguia
num remanso sem foz
que nenhum mar engolia.

No súbito silêncio
só o rio e a cidade em uníssono
sorriam alargando histórias
numa lenga-lenga de luz e magia.

Por um momento Lisboa ergueu-se
nas suas múltiplas colinas.



Lisboa, 26 de Abril de 2011


terça-feira, 26 de abril de 2011


o mistério é o suco do labirinto
como o sal para o mar
assim percorro as sílabas
lúcidas e frágeis
do teu amor

a eternidade do momento fugaz.

HFM - 4 de Fevereiro de 2011



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Exposição de desenhos de Watteau na Royal Academy of Arts


Confesso que não fiquei indiferente à capa dum dos folhetos que nos era distribuído e que coloquei em primeiro lugar - um desenho da colecção da Fundação Calouste Gulbenkian.
















Bons dias de férias e boa Páscoa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um já "velhinho"




Era um rosto como um rio
mutante
tinha por foz o além.

HFM - Lisboa, 14 de Janeiro de 2005



domingo, 17 de abril de 2011

Vasculhando o sótão


Há quanto tempo não "postava" sob este título


nas costas está escrito - De dentro de S. Julião da Barra, 1968 - tirada com a minha velhinha Canon que há muito não existe

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Já andou numa anterior Linha de Cabotagem



Arpad Szenes e Vieira da Silva no atelier do Boulevard Saint-Jacques, Paris, Foto Willy Maywald, 1949 - do site do Museu.




TESTAMENT

Je legue à mes amis




Un bleu céruleum pour voler haut
Un bleu cobalt pour le bonheur
Un bleu d’outremer pour stimuler l’esprit
Un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
Un vert mousse pour apaiser les nerfs
Un jaune d’or : richesse
Un violet de cobalt pour la réverie
Un garance qui fait entendre le violoncelle
Un jaune barite : science-fiction, brillance, éclat
Un ocre jaune pour accepter la terre
Un vert Véronèse pour la mémoire du printemps
Un indigo pour pouvoir accorder l’esprit à l’orage
Un orange pour exercer la vue d’un citronnier au loin
Un jaune citron pour la grace
Un blanc pur : pureté
Terre de Sienne naturel : la transmutation de l’or
Un noir somptueux pour voir Titien
Une terre d’ombre naturel pour mieux accepter la mélancolie noire
Une terre de Sienne brûlée pour le sentiment de durée


VIEIRA DA SILVA – (13/6/1908 – 6/3/1992)



quarta-feira, 13 de abril de 2011



Yik Yuet Sek


olhar-te-ei sempre
por entre os póros da ternura
num lugar breve sem destino.


HFM - Lisboa, 10 de Abril de 2011