quarta-feira, 15 de junho de 2011



retirada da net


Quando o sol se atrasa
sopra no ar a brisa
leve e lenta
lembrança dum jardim
que não sendo suspenso
suspende em nós
os acasos os ocasos
e a desmedida ternura
das preces por dizer.



HFM - Lisboa, 4 de Junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Quando a manhã já é dia a pele adormece ao sol como um epigrama ou tão só a necessidade de sentir - um estado de vigília, uma marca de água.

Ao arrepio.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ah grande homem!



No dia de Portugal, de Camões e das Comunidades o discurso deste homem foi um verdadeiro discurso de Estado, de um humanista com tom e palavras de poeta. Lúcido. Acutilante. Certeiro. Uma análise profunda e serena de quem sabe pensar e reflectir e ainda sem papas na língua.

Obrigada, António Barreto! Hoje este dia teve memória e significado.

E, para terminar, aproprio-me das suas palavras:







É DÍFICIL MAS É POSSÍVEL



Aqui encontrarão o discurso completo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dos Terrítórios Impossíveis





retirada da net



Era o mar revolto
encostada a ti
sentia a força
e a música aspergindo
a ilha ainda distante
como um coro
embalando-nos
no descomprometimento
e numa melancolia breve.
Lentamente aproximavam-se
as Berlengas
e a verdadeira realidade
do silêncio
e da areia na tua pele

deserto onde acostei
na íngreme parede da duna.




HFM - Lisboa, 6 de Junho de 2011


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cabotagem





quando o mar se apresentar
incorporará sal e lendas
ainda a forma
dele ressaltarão os cânticos
das ondas e das criaturas
que o habitam
aí farei chão e casa
e o local de todos os concílios.
serei barco
e na lenta cabotagem da deriva
aportarei no meu farol
onde captarei o infinito.





HFM - Lisboa, 25 de Maio de 2011



sexta-feira, 3 de junho de 2011








Lembras-te do cabo por onde rasava o nosso olhar? Perto da serra e do mar. Na fímbria das mãos e do frio. Onde o sol era rubro e o poente um acaso. Recordo as sílabas. As palavras. E, como uma promessa, deixo que o sol recorte, em contraluz, o meu perfil. Estático. Presente. Presença. Uma rajada de vida no mimetismo do instante.






HFM - Lisboa, 21 de Fevereiro de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Citando

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.


Clarice Lispector

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Diurnos




Como sanguessugas mordem-me nas canelas os dias desalinhados. Nem a chuva os lava nem a vastidão do mar cumpre a solidão e perde-se no infinito. Há, nestes dias, uma melodia com falhas. Nem são notas dissonantes. Tão só o fragor desgovernado do desconhecido. Ao arrepio. De viés. Adormecendo nas rochas os limos da vida.

Só o mar sorri. Lembra-se dos corpos, dos náufragos e de tantos que ainda o procuram. Será insanidade?


HFM - Ericeira, 26 de Maio de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

Entardecer


Hoje entardeci mais despida do que antigamente.
Não sei se pelos bosques tão devastados
se pelas bagas que colheste do meu dorso.
À tua sombra todos os amores são silvestres,
só as amoras são frutos impossíveis.








Econtrado no blogue do meu amigo António Baeta
Catarina Nunes de Almeida
Prefloração
Quasi, Vila Nova de Famalicão 2006
A Metamorfose das Plantas dos Pés
Deriva Editores, Porto 2008
Bailias
Deriva Editores, Porto 2008
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Sem título



nos carris enviesava-se a fuga
o silvo do comboio era a nota dissonante


no horizonte os deuses aguardavam.



HFM - Lisboa, 5 de Maio de 2011