quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sem título



Os hibiscos olhavam-me
eram na noite um foco de luz
como a criança nos braços da mãe
aprendendo a vida.

Lisboa, 31 de Dezembro de 2013

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

 
 

domingo, 22 de dezembro de 2013

 
 

 
Para todos os amigos. 

 Junto um dos mais belos poemas de Natal que conheço e que, num momento de crise como a actual, penso ser ainda mais pertinente.

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
 
 
David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

 
 

 
 
 
Circunscrevi no silêncio as horas
desenhei a eternidade.
 
HFM - Lisboa, 28 de Novº de 2013
 


segunda-feira, 18 de novembro de 2013


 
 
 
quando do chão os pés não se soltam, o ritmo distorce a ânsia e desvaloriza a serenidade. só  na noite o silêncio compõe a sinfonia que as ondas exibem no palco do mar e os anzóis amarram-se nas artes dos velhos mestres, hoje, sem barcos.

assim vai a incúria. assim, no labirinto, apetece-me  desistir.

não, não o farei – antes quebrar  que torcer; como as árvores que gosto de desenhar, também eu quero morrer de pé.
 

Lisboa, 18 de Novº de 2013
(fotografia retirada da net)

domingo, 20 de outubro de 2013

Escritos

 


Quando nos dias se encerram as memórias flui no tempo um vagar insubmisso que o papel afaga - ora nas palavas, ora nos traços - breviário de omissões que, na pele porosa do papel, deixa marcas e guarnições.

Quanto mais na vida se acelera o quotidiano mais eu retenho as horas no astrolábio dos resistentes. Lenta, lentamente, permito ao tempo a serena cabotagem de outras perspectivas - sinais abertos a todas as direcções.

Assim me refresco. Assim me purifico. E no que outros acham não ter sentido, eu pergunto: - e há sentido na vida? Recuso-me a entrar na factualidade do momento Cada um o sente e o julga à sua maneira.

Na manhã indefinida e tristonha sigo as contas de um rosário que desconheço e, em cada apeadeiro, procuro o sentido, a justiça e todos os meus segredos. Depois prossigo. E repito, Há, contudo, um objectivo que nunca descuro - a liberdade - a minha - a da escolha que cabeça e coração sabem poder e dever construir. Aí reside a minha casa, na sombra dos arbustos, no silêncio do lugar, no tempo das perguntas cujas respostas, inevitavelmente, conduzem a outras perguntas.

Assim sou. Assim me quero.

HFM - Lisboa, 16 de Outubro de 2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

 
 



Só a leveza da madrugada
reflecte no olhar o sorriso

no horizonte espreitam os trilhos

HFM - Lisboa, 20 de Agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Do diário


 
Não te conto a história. Seria ridículo no calor dos dias. Seriam soturnas as horas que levasses a reflectir nela. Só te agradariam se passasses para o outro lado do espelho e te questionasses. Fora disso, na servidão dos dias, todas as explicações seriam terríveis e devastadoras. Repara que falei de explicações, não de justificações. Um abismo entre estas duas palavras. Como os grandes espaços a pique no Grand Canyon americano. Como as pontes romanas em ruínas por incúria ou por falta de cultura. E isso importa? Não. Este é o país. Estas as suas gentes.

Olha, reparei agora; do outro lado do espelho há uma outra que ri. Ri mesmo. Não, não é um sorriso. É pior do que isso, o hiato entre o sorriso e a gargalhada. Devastador. Mas esta posso eu fintar. Basta-me virar-lhe as costas. É apenas a minha imagem reflectida no espelho. O alter-ego de quem posso desdenhar e de quem me posso esconder. Que posso matar, basta apenas não olhar para lá. Tão simples! E, contudo, tão infantil! Não sei porquê pensei no teorema de Pitágoras. E logo eu!...

Não te conto a história. Isso é definitivo. Falo-te do tempo. Do calor. Das penumbras. Das dunas. E, se estiveres em dia sim, ultimamente tão raros, talvez também te fale de Florença. Ou de outra galáxia que criarei, onde todos os possíveis são cenários prováveis que povoarei de pessoas também elas imaginadas. Giro. Daria um bom romance se eu fosse escritora. Assim, com a verve em dia de grande acção, continuarei apenas a debitar uma torrente de palavras mais ou menos com sentido. Apenas para calar o silêncio. Ou serão os silêncios? É parva esta língua onde apenas uma letra faz toda a diferença. Isto não é próprio da “silly season”, faria mais sentido num salão literário do século XIX.

Ainda aí estás? Sim, já percebi, estás-me a ouvir. Pensando noutra coisa, seguramente. Por isso esqueces quase tudo. Paciência. Nada a fazer. Apenas afastar-me do espelho e apagar os silêncios.

Boa tarde.

 

HFM - Lisboa, 2 de Agosto de 2013

sábado, 22 de junho de 2013

Nas Ruas de S. Bento - exposição dos Urban Sketchers de Portugal na Fundação Mário Soares

 
 

 



Deixo aqui os meus trabalhos patentes na exposição acima referida. Calhou-me a Rua das Francesinhas onde felizmente havia muitas árvores pois a arquitectura eu não domino.

Aconselho uma visita pois a exposição está muito bem montada e tem desenhos muito bons dos nossos "pesos pesados" dos sketches. Está patente ao público apenas as 3ª, 4ª e 5ª feiras e é bom consultar o horário no site da Fundação.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Poema inicial

 
 



Os olhos eram sorriso
na transparência azul do mar

a ternura -
paleta infinita onde se misturavam
as cores de cada sorriso

no caleidoscópio do ohar
recriava-se o arco-íris.
 
HFM - Lisboa, 14 de Junho de 2013