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sábado, 5 de julho de 2014



quando as palavras decidem ter vida
só elas amornam a mão
numa tessitura de labirintos
e silêncios

as palavras criam-se nas letras
e eu tento agregá-las
como um pastor recolhendo o rebanho
mas elas teimam, saltam, dissolvem-se
na liberdade de uma caligrafia ausente...


claros rasgões de inocência
na penumbra dos dias de insanidade.

HFM - Ericeira, 4 de Julho de 2014
 
 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

 
 

 
 
 
Circunscrevi no silêncio as horas
desenhei a eternidade.
 
HFM - Lisboa, 28 de Novº de 2013
 


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Poema inicial

 
 



Os olhos eram sorriso
na transparência azul do mar

a ternura -
paleta infinita onde se misturavam
as cores de cada sorriso

no caleidoscópio do ohar
recriava-se o arco-íris.
 
HFM - Lisboa, 14 de Junho de 2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Da harmonia




Na quietude esbranquiçada da manhã
a calma envolve-me
nas palavras do livro que dedilho
vidra-se-me no olhar o oceano
e a ternura da brisa
ondulando o canavial
respiro vida e dessedento-me
na natureza verde azul que me circunda.

HFM - 22 de Maio de 2013 - Ericeira

terça-feira, 30 de abril de 2013

No país dos náufragos


 
 
da net



 
Era só o silêncio
o eco da solidão
silente, ausente
um farrapo de sombra
entontecendo a aurora


e o passo compassado das palavras
arrastava-se nos dias
selando a dor.



HFM - Lisboa, 30 de Abril de 2013

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sem título


Ressoava nas palavras
o silêncio
compondo no eco o poema.

HFM - 10.03.2013

terça-feira, 19 de março de 2013






Idos eram os tempos
e os fantasmas

como tormento o mastigar dos dias

na bagagem
só as fagulhas da memória.
 
HFM - Lisboa, 19 de Março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sem título



Ausentam-se na tarde os corpos
quando o céu disputa as Parcas

da tarde escorre um cantochão.

HFM -  Lisboa, Fevereiro 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

 
 
 

da net



Um dia os deuses contarão
do sonho a lenda
e no azul cerúleo de um céu real
os homens estáticos já não perceberão
dos códigos os significados
perder-se-ão nos caminhos
não reconhecerão os labirintos


quando exangues olharem para a frente
a estrada diluir-se-á em fumo.

HFM - 6 de Outº de 2012
 
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sem título





Na ternura dos teus dedos
sinto o mar e o infinito
tangindo ecos nos meus labirintos.


HFM - Lisboa, 24 de Agosto de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012


Os azuis acertam-se no confronto da tarde

o sol persegue-os
no trilho das ondas.

HFM - Ericeira, 6 de Julho de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

claustro de Aix-en-Provence



uma vaga insana
percorria o silêncio

desaparecera o claustro.

HFM - Junho 2012

domingo, 17 de junho de 2012

Dos desejos intocáveis


O som dos búzios desinquieta
nas árvores das Conchas a rotina
aporta o mar e os seus trilhos
entrelaçando-os no lago
onde só se ausenta o veleiro

o som acastanha-se e convoca-me
ao labirinto dos acasos
onde os veleiros, mesmo de papel,
atravessam oceanos e escondem-se
nas memórias de tenebrosas baías

até que sol, vento, verdes, árvores
espelhem no mar a realidade
como um conto de fadas
uma lenga-lenga
um eterno rosário de adivinhas

então, os deuses, surpreender-nos-ão
tornando humano este estranho e impossível mundo.

HFM - Lisboa, 14 de Junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012


HFM - Itália - S. Miniato al Monte - Florença


O traço caiava na palavra a poeira
um brilho frágil sem fronteiras

renasciam nas letras as palavras.

HFM - Lisboa.05.06.2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012


um manto oculta
na tarde o silêncio
só a procura redime
só a descoberta pacifica

é estreito o trilho do caminho.

HFM - 6 de Junhode 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012


as cerejas marcavam o tempo
na inércia da tarde

o brinco coloria a orelha da criança.

HFM - Lisboa, 1 de Junho 2012

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Equacionando


sempre que olhares o farol
pensa
- na noite ou na neblina -
indicar-te-á o caminho
na serenidade dos puros
no ouvido do mar
no retorno das histórias
na quebra da onda prometida

olha e pensa
o farol ancorar-te-á
na lava que nenhum vulcão assassina
ou nas poças de água
onde o caminhante descansa
e se perturba

no ronco da terra
escuta o significado
apreende a vida
e pensa

só assim a ferida se calará
e a solidão.

Lisboa, 12 de Maio de 2012


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Amordacei no traço a vivência
suspendi-a

assim me surpreendi.

HFM - 11 de Maio de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012




Fugiu-me na impaciência
a ternura
no ramo só o vento cantava.

HFM - Abril 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

À Espera


da net


Há um ritmo secreto
no vento que vira as folhas
dos dias
um ritmo com sons de jazz
trompete destacando
das horas os minutos
numa pauta sem símbolos
onde os sons são
do tempo a erosão

colcheias fustigando-se
numa clave desconhecida.


HFM - 21012