sexta-feira, 14 de janeiro de 2011



Foto em www.olhares.com




Deixei cair a sombra
quando o mar se revoltou
era Dezembro
e na mão vacilava a distância
e a dor

corre, amor,
talvez um dia
um sopro de vento
te traga o odor
imagens difusas
na clandestinidade da dor

corre, amor,
talvez na chaminé
um dia recuperes a sombra.


HFM - Dezembro 2010

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

o momento da mão
já não é afago
é dor

acinzenta-se o mar por entre a sombra.


HFM - Ericeira, 7 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011




acolho em mim o silêncio
faço-o casa, rio, motor
nele me acoberto
com palavras e sons
por retábulo


eterna peregrina errante!

HFM - Lisboa, 10 de Janeiro de 2011


domingo, 9 de janeiro de 2011




Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.



Alberto Caeiro



sábado, 8 de janeiro de 2011




perdi o sentido da vida
quando a madrugada se ausentou

será isto a morte?



HFM - Lisboa, 8 de Janeiro de 2011



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

À boca de cena

Dou-te um conto que te encante
como o rio quando toca o mar
ou a mão que interrogamos
se nos chegou a tocar.
Conto onde te conto as contas
e tantos outros esteiros
onde de velas enfunadas
partem tantos e tantos veleiros.
Este conto são as contas
que contigo quero acertar

desafiando de frente
a vida que se pressente.

HFM - Lisboa, 3 de Janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Anoitecidos




Quando brinquei com a insónia foi comigo que brinquei. Enrolei-me nos lençóis e libertei-me no peso da roupa. Fingi a naturalidade. Escondi-me do novo dia. Refugiei-me no silêncio da noite. Vesti-me de vazio. Selei o pensamento. Parti.



domingo, 2 de janeiro de 2011

Carimbo





Com a noite selei um pacto
Difícil. Inoportuno. Radical.
Já me esqueci dos contornos
Vagueia em mim a imprecisa precisão
De um rumo decidido.
Nada aleatório. Nele se imprime
Os veios e as veias de uma vida
O voo arriscado do respeito
O canto desafinado da revolta
A ira subterrânea dos medos
A frontalidade dos destemidos
A irrascibilidade dos cobardes
A amálgama de tantos labirintos.

Tangi as cordas do cello
Na ausência de som percebi
Que a madrugada aconteceria manchando
De ansiedade a indecisão.

Na minha estrada de Damasco
Carimbei com a minha melhor letra
180º


e imprimi.




HFM - Lisboa, madrugada de 29 de Dezembro de 2010




sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Bom Ano




Com esta aguarela vos desejo um Bom Ano e traduzo livremente o que li, algures, num blogue, em inglês; estou citando de cor




DESEJO-VOS QUE AS COISAS MÁS DA VIDA SE ESTENDAM POR 2010


E AS BOAS POR 2011


Já agora escusam de exagerar no champanhe deixem algum para os próximos(as)...

Até para o ano.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



A aurora desconhece-se na cidade
Só o resquício da lua nos fala da transição

e a espera de que a chuva enverdeça a paisagem.


HFM - Lisboa, 28 de Dezembro de 2010