segunda-feira, 9 de Novembro de 2009



no desvão da escada destaca-se a luz avermelhada do sol - um tom na cidade outonal que nada pressagiaria. o tom desfocado do calor adormecido quando a hora se modifica. sobre a cor falaríamos se ela não fosse decomposta em tantas outras quanto a imaginação do artista. deixo a mão poisar no vermelho que quero vermelho. vemelho rubro. vermelho sangue. vermelho
com que se cobriam as janelas quando alguém tinha sarampo.

depois, deixo os dedos tocar no imaginário e com ele percorro o caminho para lá da luz, para lá do sol, para bem longe daqui, numa outra galáxia de infinitos.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Aguarelando


o verde da mancha tapando insónias
e a sua transparência liquefazendo
a ternura acumulada
revoltada

expressionismo de sentimentos.

HFM - 5 de Novº de 2009


quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Sem título


encerradas nos poemas - as palavras
cellos e violinos abrindo cantatas.


HFM - 27 de Outº de 2009



segunda-feira, 2 de Novembro de 2009



sofro-te, como sofro os golfinhos que, perseguindo-me, me abandonaram na transparência azul dum sol que reflectia o mar.


sábado, 31 de Outubro de 2009




Ouvi-te murmurar uma canção
quase um arrepio
como o vento no labirinto
silente
quase o ondular do cisne.

Cantata de demência.





HFM - Lisboa, 26 de Outubro de 2009

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009



da nossa mansarda
por entre os vidros
coloria-se a cidade e a vida.

HFM - Lisboa,26 de Outubro de 2009

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Anoitecidos




Correm sempre ao contrário da trama os regatos desperdiçados. Clandestinos assumidos percorrem os regos na certeza de que, um dia, hão-de chegar ao mar. Têm dias. Aqueles em que o vento os empurra em sentido contrário. Aí acoitam-se na estação sem chuvas, ao abrigo das pedras e dos gatos. Numas férias onde, contra as pedras, se ferem, dilaceram e perturbam. Um dia ressuscitam. E calhau e pedras abaixo perdem-se em direcção ao mar.


HFM - 24 de Outubro de 2009

domingo, 25 de Outubro de 2009

A chegada

O computador tinha-a avisado de que o jacto chegaria dentro de três horas. Olhava fixamente o monitor com aquele olhar que mais parecia o da impaciência das crianças. De repente viu no ar a sombra do jacto que tão bem conhecia. Um arrepio percorreu-a. Com uma pressa quase doentia vestiu o fato espacial. Desligou o computador. Fechou a porta e dirigiu-se ao terraço que ficava no alto de sua casa. Carregou, então, no botão que ficava junto ao seu coração e num impulso vigorosamente suave foi ejectada espaço fora. Há muito que tinha traçado a rota. Direcção – jacto 4097KB. Em breves segundos sentiu que uma força estranha a fazia descer suavemente sobre um relvado. O seu olhar seguro e certeiro num ápice encontrou o jacto e confiantemente dirigiu-se na sua direcção esperando que a porta se abrisse e dela...

- Ó mãe, podes passar-me a minha consola? vais ficar toda a tarde a jogar os meus jogos?


HFM - Lisboa, 19 de Outubro de 2009

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009


HFM


Intemporais são as brumas carregando o olhar e os gestos que afagam a revolta. Na margem dos contrastes afogo toda a insolvência num acrobático esgar de ternura.



HFM - Lisboa, Outubro 2009

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009


HFM


Dizer-te da linha ocre de terra
bordejando lagoa e olhos
seria apontar uma vírgula no céu
que um fugídio avião deixara
escorrendo branco no cerúleo da imensidão.

Silêncios ampliando das cores o coro e todos os sentimentos.





HFM - Lago Azul, Ferreira do Zêzere, 18 de Outubro de 2009