sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Do diário



Partir em direcção às estátuas que encimam as colunas. No alto da colina. Na linha do horizonte. Onde o silêncio se acoitar. Onde a luz fizer ferver a centelha do acaso. No silêncio petrificado onde os ecos são audíveis situarei a minha casa na sombra das estátuas, no prolongamento das colunas. Aí saberei reconhecer o fio que me liga à vida. Aí aprenderei que a realidade é o quotidiano do momento.

Um dia talvez possa sorrir às estátuas, agradecer-lhes a guarida e pedir-lhes apenas que mantenham intactos os ecos que se soltarem da pedra onde se esculpiram os capitéis que encimam as colunas. Destas só quero relembrar o momento branco em que fixei a que se adoçava à casa nessa rua sem história de uma das mais belas cidades europeias.



HFM - Lisboa, 10 de Fevereiro de 2010

7 comentários:

maria manuel disse...

belíssimo texto, Helena. busca de um lugar de luz e silêncio, de elo com a vida, com «o quotidiano do momento».

beijo.

Luis Eme disse...

a luz, o silêncio, a vida, a beleza...

Lisboa.

beijinho Helena

Licínia Quitério disse...

Belo texto. No silêncio de pedra, a busca do fio da vida.

jrd disse...

Um texto lindíssimo. Porque é urgente sorrir, até, às estátuas.

Ana disse...

Partir. Ao encontro das memórias e dos ecos. Sorrindo às tuas palavras.

addiragram disse...

O mais belo lugar para a CASA, o lugar que as palavras, delicadamente, desenharam.

Ad astra disse...

colunas,colinas,estátuas e capiteis

pedras, casas, e ruas

silencios ecos e sombras

e um sorriso tão grande que ainda não cabe no tempo