segunda-feira, 27 de maio de 2013

 
 

foto de HFM
 
 
alheio-me.  esgrimo diálogos dentro de mim. ensurdeço o tempo tapando-lhe o espaço. apenas porque não sou mágica. se o fosse roubava o espaço. mastigava-o. absorvia-o. depois prolongaria na retina os lugares. os reais. os imaginados. os desconhecidos.  sorrindo, sabia então que, senhora do espaço, o percorreria - viajante sem passos na cauda de um cometa invisível. a viagem não seria recurso. mas causa. mas forma. sede, ainda.

filtrava, então, o olhar e, desfeita de conhecimento, viveria. chama na cisterna onde a água nunca se apagaria. cavalo percorrendo a lezíria junto a um trilho de água. o mar, ainda. feita onda ou limo; também rocha. na raiz das árvores centenárias depositaria o invólucro adormecido.

só assim, os dedos pontuariam, num espelho intemporal, a brisa dos dias.

HFM - Lisboa, 24 de Maio de 2013

4 comentários:

António Baeta disse...

Que texto incrível!
Telúrico.

... sede, ainda.

jrd disse...

Um texto belíssimo, na polpa dos dedos.

Ad astra disse...

fantástico texto

de ler e ficar sem folêgo

Mar Arável disse...

... entretanto ...

os rios passam
pela sombra das pontes