sexta-feira, 25 de junho de 2010



De que me serve a revolta? uma voz passeando no vazio. Apenas mudamos o nosso interior. E a custo, convenhamos.

Falar contra a justiça? Mas ela existe? Nunca a vi quando os tribunais especiais reinavam neste país. Também agora a não vejo e, contudo, julgamos viver em liberdade.

Falar desta política? Nessa já não caio. Areia escorrendo na mão da criança.

Falar dos abismos? Ainda posso cair dentro deles!

Aferrolho a revolta em mim, desenho um sorriso de aparência credível, assobio para o lado e guardo no bolso da alma a revolta que em mim se propaga.

Assim se desafia o calor e esta coisa a que deram o nome de “crise” que não sei se será a do futebol, se a monetária, se a da falência desta sociedade se ainda e, sobretudo, a da crise de valores que nos vem caindo em cima há alguns anos.

Talvez o sol e a água da praia lavem a revolta e a escondam nos corais que se estão perdendo e os multipliquem para que o universo ainda seja possível.



HFM - Lisboa, 14 de Junho de 2010



6 comentários:

ma grande folle de soeur disse...

se propaga... a propaganda! ;) beijos

Licínia Quitério disse...

Uma sociedade, um mundo, em mudança brutal e rápida. É-nos muito difícil e doloroso ser ao mesmo tempo actores e espectadores. Foi o tempo que nos coube.
Um beijo.

Justine disse...

Mas é preciso dizer da revolta, é preciso gritá-la. Só assim evitaremos sufocar...

Ad astra disse...

em palavras certas...
tudo o que todos os dias pensamos!

jrd disse...

A revolta serve para escrever este texto e, também, para o ler...
Abraço daqui.

maria manuel disse...

actualmente, o mundo é governado e negociado pelos grandes líderes e grandes empresas económicas.
não há revolta que valha alguma coisa, que não possam esmagar ou simplesmente ignorar.

quando muito, e já é muito em termos individuais, serve para a expressarmos, partilharmos, assumirmos e preservarmos a nossa condição humana. como a Helena diz, melhorarmo-nos como pessoas, preservar a nossa senidade mental e continuar a merecer usufruir do azul aterno do mar.