sexta-feira, 8 de abril de 2011

Diurnos


dizer-te do vento assobiando no canavial? até uma criança escreveria isso. digo-te antes que este vento se enrola na ternura em que me és. mesmo quando ofendes. mesmo quando brutalizas o tempo negado. partem-se uns fios. rasgam-se as feridas. acentua-se a dor e, contudo, és-me - penúria de presença na pele que não largo.

HFM - Ericeira, 1 de Abril de 2011

8 comentários:

Mel de Carvalho disse...

Ocorre-me, estimada Helena, tomando minhas as palavras de Carl Rogers sem o rigor da citação
(... não amamos o outro, não nos enternecemos pelo outro, pelo que ele é na realidade, mas por aquilo em que nos tornamos em sua presença...)
ou, se preferirmos, de Saint-Exupery
(... foi o tempo que dedicámos à nossa rosa que fez dela tão importante aos nossos olhos...) vigiamos-lhe o crescimento, o calor, a água... ainda que saibamos que nos pode rasgar a pele...

Helena, hem-haja. Gosto muito mesmo de a ler.
Mel

Ad astra disse...

ternura que rasga...

Era uma vez um Girassol disse...

Belas palavras, a dura realidade muitas vezes.
É sempre um prazer ler-te...
Um grande beijinho

Licínia Quitério disse...

É assim o Amor, mesmo a rimar com Dor. Muito bonito, Helena. Um beijo.

jrd disse...

O Encanto da persistência.

heretico disse...

a rasgar a pele. no ardor da ausência. e da persistência...

beijo

mfc disse...

Há coisas que não se explicam.
São simplesmente assim!

Márcia Maia disse...

"e, contudo, és-me - penúria de presença na pele que não largo."

dolorosamente belo. muito belo, Helena.
1beijo daqui.