quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dos tempos




dir-te-ei dos dias
quando as horas se esquecerem
de se encontrar
então
na ausência do tempo
serei o raio que antecipa o trovão
o ar denso e sufocante
e a calmaria do devir.

quando as horas não fizerem sentido
sentrar-me-ei face ao mar
sorrirei às ondas
abraçarei a espuma
que reflectirá
a praia em semi-círculo
onde à noite se ouve um piar marinho
e na visão periférica se descobre
a sombra dos pássaros extinguindo-se.



HFM - Lisboa, 19 de Abril de 2011


9 comentários:

Ad astra disse...

salpicos de maresia

António Baeta disse...

Belo!

mfc disse...

Gosto deste bem estar contemplativo que transmites.

jrd disse...

Mesmo na ausência do tempo o mar é o mesmo.
Belíssimo.

Graça Pires disse...

"quando as horas não fizerem sentido" pergunta ao mar se é eterna a sombra dos barcos e dos pássaros...
Um belíssimo poema, Helena.
Um grande beijo.

Luis Eme disse...

o mar não tem tempo...

beijinho Helena

heretico disse...

"quando as horas não fizerem sentido" todos os relógios serão supérfluos - habitaremos o Tempo.
e o Mar.

belíssimo.

beijo

aveiro meio sal disse...

Excelente poema. Gostei imenso.
Parabéns.

ma grande folle de soeur disse...

mi piace ;)