terça-feira, 27 de outubro de 2009

Anoitecidos




Correm sempre ao contrário da trama os regatos desperdiçados. Clandestinos assumidos percorrem os regos na certeza de que, um dia, hão-de chegar ao mar. Têm dias. Aqueles em que o vento os empurra em sentido contrário. Aí acoitam-se na estação sem chuvas, ao abrigo das pedras e dos gatos. Numas férias onde, contra as pedras, se ferem, dilaceram e perturbam. Um dia ressuscitam. E calhau e pedras abaixo perdem-se em direcção ao mar.


HFM - 24 de Outubro de 2009

8 comentários:

Ad astra disse...

quando os contrários têm a mesma direcção...

saltam as pedras.

António Baeta disse...

Mesmo a Natureza, para enraivecer, precisa de concitar as suas forças.

addiragram disse...

Um dia...!

Teresa Durães disse...

escorrem nessa esperança de atingir o mar e enquanto lá não chego, deixam o seu cantar. Gostei bastante!

J.T.Parreira disse...

Os regatos são aqueles versos a que não damos logo importância, que depois se avolumam em Poesia.
Abraço.

Ana disse...

O mar como único destino!

jrd disse...

Certos do regresso.
Abraço

heretico disse...

não se muda o sentido das correntes...

beijo