domingo, 25 de outubro de 2009

A chegada

O computador tinha-a avisado de que o jacto chegaria dentro de três horas. Olhava fixamente o monitor com aquele olhar que mais parecia o da impaciência das crianças. De repente viu no ar a sombra do jacto que tão bem conhecia. Um arrepio percorreu-a. Com uma pressa quase doentia vestiu o fato espacial. Desligou o computador. Fechou a porta e dirigiu-se ao terraço que ficava no alto de sua casa. Carregou, então, no botão que ficava junto ao seu coração e num impulso vigorosamente suave foi ejectada espaço fora. Há muito que tinha traçado a rota. Direcção – jacto 4097KB. Em breves segundos sentiu que uma força estranha a fazia descer suavemente sobre um relvado. O seu olhar seguro e certeiro num ápice encontrou o jacto e confiantemente dirigiu-se na sua direcção esperando que a porta se abrisse e dela...

- Ó mãe, podes passar-me a minha consola? vais ficar toda a tarde a jogar os meus jogos?


HFM - Lisboa, 19 de Outubro de 2009

5 comentários:

jrd disse...

Lindo! Uma viagem infantil que esta mãe só pôde fazer depois de crescida.

Ad astra disse...

quero um jacto destes
e o arrepio também...

mesmo sendo ja crescida

maria m. disse...

linda esta mãe!

Mar Arável disse...

Muito belo e criativo

heretico disse...

um viagem pelo "interior" da ternura.

beijo