terça-feira, 24 de agosto de 2010

Do diário





In silence - de Chiharu Shiota


O silêncio socorre-se dos labirintos por onde se esgueira. Aí reina. Aí domina. Aí se centra no interior e no fundo das sombras. Nele me sento. Rente, rente à borda da vida. Cantando para dentro as mágoas que o silêncio impede que se soltem. Como uma promessa adiada que nunca se cumprirá. Fogo que ninguém vê. Roturas que apenas pressinto. Sinónimos vagos de uma língua que desconheço. E a solidão.

Só o mar vigia e espera.


8 comentários:

Ad astra disse...

das esperas...

silêncio sombras e sonhos...

mesmo que adiados

Luis Eme disse...

mas o silêncio fez-te escolher uma imagem magnífica...

mas solta-o, nem que seja rente ao mar...

abraço Helena

António Baeta disse...

O silêncio; essa vastidão de sombra.

jrd disse...

No marulhar das ondas revelam-se os silêncios da espera.

Graça Pires disse...

O silêncio é as vezes demasiado ruidoso... principalmente quando "canta por dentro das mágoas".
Um grande beijo, Helena.

J.T.Parreira disse...

Belíssimo texto, como écfrase para uma esxtraordinária fotografia, cheia do mistério das teias do silêncio.

Anónimo disse...

Do tempo
as teias dos tantos espaços mudos
esperas

Bjs da bettips

Márcia Maia disse...

tantas vezes me sinto exatamente assim...
um beijo daqui, querida.