sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CÓDIGO DE CONDUTA

Quando os segredos se acoitam no luar
ressaltam da noite as encruzilhadas
contos antigos que nunca escreverei
equívocos e lembranças
recargas que carrego na mochila
do silêncio e das dores

contar-te-ei, mais tarde, meu amor,
a reacção das sereias quando o mar –
invertendo a lógica do tradicional conto –
cada noite lhes contar uma história
recriando a filigrana dos dias vividos
num agridoce de sentimentos

voluntária serei, então, fusão
de passado e presente
no futuro que amanheço
no esplendoroso ciclo do sol
nascer – zénite – ocaso

são estas as difusas linhas onde desenharei
as palavras que o tempo apagou
no eterno ritmo deste mar
onde, sedenta, me baptizo -
raiz, alga, espuma.

HFM - Lisboa, 12 de Agosto de 2010

8 comentários:

António Baeta disse...

Helena
Belíssimo poema, minha amiga!

Ad astra disse...

dos mais bonitos que já li

absolutamente "esplendoroso

heretico disse...

poema (de amor) deslumbrante...

..."onde, sedenta, me baptizo -
raiz, alga, espuma".

perfeito!

beios

batista disse...

redivivas, vez por outra, à revelia da vontade ou não, lembranças não escritas volverão aos escaninhos da memória ou lançar-se-ão num vôo qualquer em busca do que poderia ter sido?

deixo um abraço fraterno e saudoso.

jrd disse...

Poema no papel molhado.
Belíssimo!

Márcia Maia disse...

Um dos mais belos poemas seus que já li. Gostaria de tê-lo escrito.


Lindíssimo, Helena.

Beijo por ele.

J.T.Parreira disse...

O prazer do texto poético no inconfortável, por vezes, território das memórias. Muito bem construído.

carlos pereira disse...

Cara Helena;

Poema de excelência; levou-me numa agradável viagem através das palavras e dos versos imbuídos de uma sensibilidade e beleza poéticas, só ao alcance de quem vê com os olhos da alma.
Continuarei a lê-la, seguramente.
Um abraço.
Carlos Pereira