
era uma manhã de sol
igual a outras
monótona na aparência
da simetria dos traços
o olhar intensificava
as cores nos dedos
o verde diluía-se em amarelos
e a luz de outono
cerrava os olhos
numa contínua afirmação.
os gatos indiferentes
ensonavam-se em poses
quase estáticas
e dos ruídos só a cidade
enrolando-se na terra.
são breves momentos únicos
quase inúteis
ferrando nos dias
a doce textura dos marmelos.
HFM - Lisboa, 24 de Outubro de 2008
13 comentários:
são únicos os momentos que as tuas palavras me dão...de conforto!!!!
outono-me. assim. no teu saber.
bjj.
bonito poema de outono.
lindas a descrição deste outono
Ótimo poema. Belo como as cores outonais.
Beijos
sim, é Outono, nas tuas palavras e na bela imagem, Helena...
Outono em tons de mel e fogo.
Um beijo Helena.
Lindo. E esta foto fez-me logo pensar no haiku do Bashô que achaste magnífico...
São os poemas como este que me fazem gostar do Outono.
hoje estou como os gatos
só a tua escrita me acorda
Uma fotografia, um óleo, uma aguada,esboço ou uma narrativa lindíssima.
Momentos dourados de suavidade captada nas palavras. Eu gosto do Outono. **
ligne de cabotage,
tres beau nom, tres beau blog, tres belle photo, qui me donne envie d'apprendre le portugais pour saisir un peu plus que
la lumiêre de l'automne, les chats indifférents...
Porque são sempre breves os momentos únicos!
Têm que ser?
Devem-no ser?
Ou simplesmente o são!
Não tenho resposta.
Também não pergunto.
Mas conheço a, nem sempre, doce textura dos marmelos!
Depende da árvore, como dependem os momentos de nós.
:-)
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