segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Do diário

Sôfrega avança a mancha cobrindo a visão. Bebedeira de luz, de cor, de força. Um relâmpago sem trovão, rasgando na ausência a viagem, como uma faca sem lâmina. Depurada corre a estrada perdida nos caminhos secundários e na insónia dos mapas. Fontes descendo as montanhas donde se soltam os ecos e as brumas. Uma hipérbole de cascatas reflectindo o som do canto gregoriano e a solidão dos claustros. Listas de cor girando num carrossel de luz.

- Desculpa, disseste que a vida estava sem graça, foi?


HFM - 17 de Janeiro de 2008



foto de Avela

10 comentários:

Ana disse...

Vida inscrita em luz e em cor, essa que o diário regista.

jrd disse...

Solta como um solo de violoncelo.
Boa semana
Abraço

Marinha de Allegue disse...

Certamente hai días que a vida está sen gracia ningunha...

Apertas e a disfrutar deste espazo novo que comeza a súa andaina.
:)

Ad astra disse...

...e estava mesmo...
mas das tuas mãos brotam palavras arco-iris, cascatas da mais colorida sonoridade, que atravessam o atlantico

e iluminam o dia!!!

Teresa Durães disse...

por vezes os reflexos lembram-nos a riqueza que existe à nossa volta

J.T.Parreira disse...

Prosa poética tanto quanto a poesia da névoa da imagem.
Um abraço

Justine disse...

Tudo depende sempre, sempre, do ponto de vista...

ângela marques disse...

Adoro a réplica final, como contraponto ao texto. Excelente.

beijo

Mar Arável disse...

Paisagem que faz a diferença

e se interroga

~pi disse...

sem graça?

apenas o lado vis

ível,



~